O meu niilismo resume-se a merda. Se não tenho um pensamento meu, não ha razão para não ser mais que isso. Quer queira quer não, sou um produto, todo o "eu" é um produto da imaginação de um qualquer filho da puta que decidiu ter a minha personalidade como ideia. Quer queira quer não, quaisquer palavras que possa dizer ou qualquer pensamento que possa ter este Samuel Inglês são pré-determinados e não são mesmo dele. Merda que não sou nada! Como posso não ser tão irado e revoltado com tudo se há muito que percebi que a minha existência é inútil?!
Não posso existir de outra maneira, caralho! Tenho de ser assim, porque não posso ser de outra forma e porque não faria sentido ser de outra forma. O meu pessimismo pessoal é um resultado dele, mesmo que eu seja um outro nome, com uma personalidade mal arranjada... Sou um soberbo deus irreal da literatura que começa a tornar-se cada vez mais real e cada vez mais humano, mas de que me serve isso se a puta da minha vida não tem uma pequena gota de realidade? Sou encarnado e falo, sem ter uma forma física, representando o contra, o protesto, o indefinido... Portanto - foda-se - uma ilusão com maus modos porque os modos deixam de importar quando nada mais importa.
À MERDA COM TUDO!
Se é assim que devo ser, que seja. Melhor assim que na ilusão de que existo para além de letras. Melhor assim que existindo ainda menos que suposto "deus" tirano ausente, mas não quero falar de religião hoje, nem agora...
Só me interessa saber que não sou nem poderei alguma vez ser nada, quer um deus inexistente, quer um ditador divino de merda exista ou não. Fico dias e noites a pensar assim, invocado na mente que me criou sem ter a oportunidade de protestar e manifestar a minha opinião. Não escrevo sempre, mas quando o faço existo para toda a eternidade em palavras imortais da minha inexistência, que vão durar o meu desaparecimento. Não é que me interesse pela duração das palavras, mas acho que alguém normal me interessaria.
No pensamento que vivo, sou todo eu uma negação que escreve como se existisse, sabendo que não é mais real que letras e símbolos. É esta a minha filosofia paradoxal estupidamente exposta.
Merda.
Samuel Inglês 20-3-2018
terça-feira, 20 de março de 2018
Neo-Inglês
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