terça-feira, 20 de outubro de 2020

Pessoa

I

Chama da Hora!, o cigarro queima 
Ó audácia de existir entre esterco
Mesmerizado, fumando versos
De tosse! Como se tosse sem pulmões? 
Esta tosse de sentir nada - legado sensacionista!
Ah, que morreste! Merda, meu velho! 
Ainda brilha o teu bigode nos meus
Versos sem sentido! Monóculo irado dos teus orgasmos!

II

Fumo do Definitivo!, a poesia sai-me dos pulmões
e escrevo, fluído na página, o Nihil,
Vício de não ser!; um nome na página 
é a salvações dos meus poemas!
Informe, mas fragmentado
- arbitrários numerais romanos! - 
desfaço o que é meu na página

Perco-me nestas ébrias palavras: 

"És Pessoa de cera derretido em conhaque, 
e engolido num trago com o fumo da tua tosse.
"


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